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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O X do fiasco


A divulgação, na noite desta quinta-feira, do relatório final da Operação Triplo X, deflagrada para provar que Lula era dono de um apartamento tríplex no Edifício Solaris, no Guarujá, passou quase batida pela grande mídia, que janeiro, em sua deflagração, dedicou-lhe manchetes garrafais. A informação de que Lula e seus parentes não foram indiciados mereceu duas linhas perdidas na matéria da Folha de S. Paulo, bem como na do UOL. Nos outros veículos, branco total. Em tempos de maior compromisso com os fatos, o relatório seria destacado e apontado como uma cambalhota ridícula do método dedutivo-indutivo-conspirador que guia a Lava Jato. Lula, entretanto, não saiu da mira neste caso: outro inquérito da Lava Jato segue ativo buscando demonstrar que ele oculta a propriedade.

Em janeiro, ao deflagrar a Triplo X, a Polícia Federal e os procuradores pareciam ter certeza de que chegariam às provas contra Lula no caso do apartamento que ele é acusado de possuir. O nome da Operação dizia tudo. A defesa do ex-presidente já havia apresentado provas de que sua mulher, dona Marisa, chegou a comprar cotas de uma unidade, ficando com a opção de compra, mas desistiu do negócio. O “tríplex do Lula”, entretanto, virou uma verdade comentada em todas as bocas e becos do país.

A Operação Triplo X não rendeu um grão de prova contra Lula, mas a Lava Jato tropeçou num rochedo, a atuação da corretora Mossack Fonseca, uma grande lavanderia de fortunas, como “dona” de algumas unidades. Os estilhaços bateram em Parati, na propriedade da família Marinho. Os presos foram soltos e a Triplo X saiu de cena. O assunto “tríplex do Lula” foi substituído por uma enchente de notícias sobre o sítio de Atibaia. Ele tem que ser de Lula, embora tenha outros donos, escritura e provas de compra e pagamento em nome dos donos.

Oito meses depois, eis que o juiz Sergio Moro manda divulgar o relatório da Triplo X. Foram indiciadas sete pessoas, entre elas a empresária Nelci Warken, dona de um tríplex, e funcionários da Mossack Fonseca no Brasil, como Maria Mercedes Quijano (chefe do escritório da corretora no Brasil). Lendo o relatório, o nome de Lula só aparece no depoimento de uma proprietária que diz ter ouvido dizer que ele seria dono de uma unidade. Natural, pois chegou a ser cotista, chegou a visitar o imóvel e os corretores de venda valiam-se de tal referência para valorizar a mercadoria. Lamentável, para o jornalismo, é tratar a divulgação do relatório como se não fosse um fiasco da caçada a Lula, como se não tivesse tido o objetivo que teve e não alcançou.

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