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terça-feira, 7 de junho de 2016

Racha no PSDB


Escancarada a briga entre o deputado federal Major Rocha e o ex-deputado Marcio Bittar, o PSDB revela-se vivendo sob o signo da discórdia. E pelos eventos passados, rememorados adiante, era de se esperar que a convivência degringolasse. Afinal, trata-se de duas personalidades distintas em conflito – uma, oriunda das forças militares, já foi acusada de tentar transformar o partido em “box da PM”, e a outra sempre a priorizar os interesses pessoais.

Pelo que se depreende da quizília travada entre Rocha e Bittar, a razão do desentendimento é dinheiro. Recursos do fundo partidário estariam sendo usados para saldar dívidas da campanha ao governo estadual, numa proporção menor do que deseja Bittar – e bem maior, segundo Rocha, do que alega o primeiro.

Mas o que incomoda mesmo Bittar é o crescimento do nome de Rocha e os boatos de que, picado pela mosca azul, ele já estaria se preparando pra encarar uma eleição ao Senado – justo o alvo do primeiro. Outro ponto é a divergência sobre os rumos do PSDB nas eleições deste ano. Rocha não quer saber de acordo com o PMDB, enquanto seu desafeto propugna que os dois partidos se unam em torno de Eliane Sinhasique.

Além do mais, Bittar quer eleger o filho vereador de Rio Branco, o que seria improvável com uma chapa liderada por um mero desconhecido como Francineudo Costa. E não apenas isso: ele deseja que o garoto seja o mais votado da capital. Menos do que isso geraria especulações idênticas às que foram feitas sobre Sérgio Petecão após as eleições em que não conseguiu eleger a esposa deputada federal.

Durante a campanha de 2010, Rocha estava com a reeleição à Aleac garantida quando foi convidado a integrar a chapa de deputado federal. Aceitou. No decorrer do processo, porém, Bittar ensaiou enfiar Marcia na mesma chapa, o que gerou pressão de todos os partidos que compunham a aliança.

Agastado, Rocha ensaiou romper com Bittar devido às promessas não cumpridas. A fama de descumpridor de acordos, aliás, mancha o currículo político de Bittar, de longe o mais odiado por antigos colaboradores.

Atualmente, sem perspectiva de eleger o prefeito da capital, e tendo que encarar uma briga feia com os peemedebistas em Cruzeiro do Sul, o PSDB amarga mais uma divisão interna que se assemelha àquela que acarretou a saída de Tião Bocalom da sigla. Só que desta vez é Bittar quem está em desvantagem, já que Rocha comanda o partido por deter o mandato que o faculta sentar-se à mesa com os membros da executiva nacional.

Três grupos se formaram após o bate-boca entre os caciques tucanos: os que seguem apoiando Marcio Bittar; os que continuam a defender o Major Rocha; e aqueles que sabem que a sigla – independente de qual dos dois saia vencedor da contenda – é que, no final das contas, vai levar a pior.

Roberto Vaz 

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