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quarta-feira, 15 de junho de 2016

FERIADO ESTADUAL: Acre de lutas completa 54 anos de Estado

Entre os anos 1904 e 1963 o Acre viveu como Território Federal com as capitais de cada departamento – Alto Acre, Alto Purus, Alto Juruá e depois Alto Tarauacá – reportando-se direto com a União. As elites seringalistas, comerciantes e militantes políticos tiveram, nesse período, uma batalha diversa para que o território se tornasse enfim Estado, com sua autonomia.

O espírito da liberdade pairava nessas terras desde os combates para a vitória, em 1903, da “Guerra del Acre” (como era chamada na Bolívia a Revolução Acreana). Com a transformação em Território Federal, imediatamente foi iniciado o Movimento dos Autonomistas, que por quase 60 anos lutou para que o povo acreano assumisse sua gestão.


A Revolta dos Cem Dias, no Juruá, em 1910, inspirou outras insurreições: em 1912 ocorreram a Revolta de Sena Madureira, movimento enfrentado pelo governo federal com um bombardeio da Marinha na cidade; e, em 1918, a Revolta de Rio Branco, que colocava em xeque um conflito entre o Primeiro e o Segundo Distrito. Com a derrocada da borracha em 1920, o Movimento Autonomista perdeu parte de suas forças, até o começo do governo de José Guiomard Santos, em 1942.

Com a assinatura da lei nº 4.070, que elevou o Acre a Estado, em 15 de junho de 1962, um novo caminho era iniciado: a independência política. Mas os acreanos não chegariam a essa conquista sem antes muito combate político entre os tantos partidos que havia. Parte dessa história pode ser estudada com mais profundidade a partir do trabalho Invenções do Acre: um Olhar Social sobre a História Institucional da Região Acreana, da historiadora Maria José Bezerra, que ouviu diversos militantes da época.

“O partido daqui era a Legião Autonomista, era o mais importante. A chapa popular era o Partido do Judiciário. Em 1945 Getúlio Vargas criou tanto o PSD quando o PTB. Havia ainda a UDN”, afirmou em entrevista à historiadora, em 1996, o jornalista Foch Jardim, que teve seus direitos políticos cassados durante a ditadura militar.

Com esse contexto partidário, Aníbal Miranda, que foi governador nomeado entre 1960 e 61, deu sua versão dos fatos que levaram à assinatura da lei, também em entrevista a Maria José: “Vale dizer que o projeto aprovado não foi o mesmo apresentado pelo Guiomard. Sofreu modificações. O PTB não queria o projeto. O Acre não tinha condições de ser Estado”. Aníbal era ativista do PTB e também foi cassado após 1964.

Em Cruzeiro do Sul, no Juruá, o clima também era tenso entre os que queriam e não queriam a autonomia do Acre. Comerciantes e a elite seringalista temiam impostos e dispunham de armas para que o projeto não prosseguisse. Mas havia aqueles que buscavam uma alternativa. “A causa autonomista cresceu em Cruzeiro do Sul. O pessoal se conscientizou de que deveria fazer o Estado. Para nós, o ponto culminante da luta foi 1958, quando colocamos o Guiomard como deputado federal. Ele lutou e o Acre virou Estado”, afirmou Cláudio Perez Nobre, integrante do PSD, partido de Guiomard.

Com muitos debates, discussões e até navalhadas, como relatou Foch Jardim, a política acreana chegou a um de seus episódios mais importantes. O Acre elevou-se a Estado, ganhou sua autonomia e pôde escolher seu primeiro governador, José Augusto de Araújo, um dos que não utilizou a bandeira autonomista em sua campanha.

Dois anos depois das eleições, a ditadura cerceou toda a liberdade brasileira e fortaleceu as elites econômicas. Grupos que chegaram ao estado desmatando e expulsando o povo de suas terras, fazendo nascer aí a próxima etapa da luta acreana. A cultura do Acre foi se reafirmando com cada batalha, mostrando que tem seu próprio jeito de fazer política e desenvolver sua economia e sociedade.


Fonte: www.pagina20.net

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